Tem muita gente perdendo o sono por causa do Coronavírus.

Hoje eu acordei às 04h da manhã e perdi completamente o sono. Sabe quando você acorda abruptamente como se não estivesse dormindo de tão desperto que você está, então, eu acordei assim… Aí resolvi vir aqui compartilhar meus pensamentos…

Esta foi uma semana bastante diferente na minha rotina porque praticamente atendi todos os pacientes no formato online. Eu passei a semana toda ouvindo sobre medos, dúvidas, anseios, angústias das pessoas sobre o tal coronavírus e, embora enquanto psicólogo o que eu mais faça é escutar e acolher narrativas de sofrimento, senti que o conteúdo esta semana teve um teor diferente.

O fato de estarmos em meio a uma pandemia acarretando colapso na saúde pública e uma crise econômica gigantesca faz com que fiquemos em estado de alerto 24h por dia com medo do por vir. E o mais estranho é que apesar de perceber sintomas ansiosos nas pessoas, o que tenho sentido está longe de ser um transtorno de ansiedade em si, é estranho até explicar, de nomear e falar sobre o que tenho percebido, mas é como se fosse literalmente uma ansiedade angustiante, algo assim… Confesso que é estranho explicar mesmo, ainda estou digerindo tudo o que senti e estou sentindo. Cheguei a falar com uma amiga “Psi” que eu queria ficar apenas no meu canto quieto, tamanho o incômodo que os atendimentos me causaram. Alguns até foram light, mas a maioria foi bem hard, por isso eu senti o peso da dor.

As pessoas estão perdidas, visivelmente sem rumo. Não sabem ao certo o que fazer em casos de epidemia, mesmo com orientações dos profissionais da área da saúde. Consomem muita informação, de qualidade ou não, e isso impacta diretamente na saúde da mente. Estão conectadas com familiares e conhecidos ao redor do mundo através das “redes sociais” e discutem sobre o mesmo assunto: coronavírus.

Boa parte do tempo das sessões foi voltado para comentários como: “Fulano me enviou uma reportagem dizendo que encontraram a cura para o vírus” (esperança), “A China é responsável por isso tudo” (raiva), “O presidente é louco por motivar uma manifestação dessa agora, eu sinto que o Brasil só vai piorar” (desesperança), “Do que adiantou mapear o genoma, é preciso criarem uma vacina (desespero)”, “Tem que trancar todas as fronteiras, parar tudo… vamos morrer (medo e desespero)”.

Assim sendo, o medo da morte está fazendo corações palpitarem. O sentimento de finitude e a sensação de impossibilidade de ação tem deixado muitos angustiados, inclusive até profissionais da saúde mental. A gente percebe isso pelas perguntas que são feitas, muitas repetidas, simples e já explicadas coletivamente. É como se eles desejassem estar num pesadelo apenas e aguardando o despertar do sono… São muitas dúvidas, muitos comentários sobre as estatísticas européias, muito medo mesmo.

Frente a isso também há o incômodo do isolamento social num país demasiadamente espontâneo. O brasileiro gosta de contato e isso é o que a gente menos pode ter no momento. Precisamos evitar abraço, aperto de mão, proximidade… Além disso, temos que aprender a conviver com uma nova rotina, dividindo espaço de casa com todos os moradores ao mesmo tempo sem uma previsão de quando isso será alterado. A angústia tem tomado conta de todos de forma generalizada.

Neste sentido, percebo que de uma hora pra outra os anseios mudaram, o desemprego que era a maior preocupação passou a ocupar menos espaço na consciência tornando-se um assunto menos temido. Todos estão com medo da morte, sua e de seus entes queridos, estão com medo da escassez de alimentos, medo dos pais idosos serem afetado, medo dos filhos contraírem o vírus…  

Por isso tudo, muitos estão perdendo o sono… pois ficam o tempo todo buscando uma solução para algo ainda sem resposta. Eu acordei preocupado com o que escutei, como se estivesse ouvindo novamente cada narrativa de angústia compartilhada comigo ao longo da semana… o maldito coronavírus também me fez perder o sono…

Enfim, no momento o melhor a se fazer é evitar aglomerações, esta é a única forma de diminuirmos o aumento desenfreado da contaminação ao vírus. Faça a sua parte, se proteja, seja solidário…

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