Antidepressivo deve ser utilizado junto com Psicoterapia.

Na atualidade é muito comum a busca por serviços rápidos que dê conta das problemáticas da vida. Essa busca ocorre em diversas áreas, inclusive na área da saúde mental referente aos tratamentos dos sofrimentos psíquicos. Acontece que como em saúde mental lidamos com a mente e a vida humana, nem sempre essa velocidade almejada poderá ser alcançada, pois somos indivíduos que necessitamos experienciar, viver, aprender e errar pra alcançarmos mudanças em nosso estado e jeito de ser.

Assim, é muito comum recebermos pacientes desejosos de resolver seus sofrimentos no menor tempo possível. Já fui questionado se em um mês dava pra se livrar da ansiedade ou até mesmo se existia algum manual, tipo um passo a passo, de como resolver questões psis de forma mais rápida. Bem, sabemos que isso não é possível e até mesmo as práticas psicológicas mais atuais que trabalham em prol da redução de tempo em terapia, podem não alcançar esse desejo pela velocidade nos resultado, pois, afinal, somos diferentes e respondemos de forma diferentes a cada experiência.

Os medicamentos (psicofármacos) são uma das formas de tratamentos dos transtornos mentais e, de modo bastante divulgado, são sempre lembrados quando o assunto é depressão. No entanto, pesquisas recentes mostram que os remédios apesar de contribuírem muito para a redução dos sintomas depressivos, possuem um percentual alto de recaídas no tratamento e também um número bastante alto de insucesso, ou seja, de pessoas que não sentem diferenças ao longo do tratamento. Além disso, também há pesquisas comparando e apontando a equivalência nos resultados do tratamento da depressão quando realizado por meio de psicoterapia, tal como quando é utilizado os psicofármacos (remédios) (Beck, Young, Righ, Weinberger, 2016).

Seguindo essa mesma linha de pensamento, o médico psiquiatra Breno Serson (2007), propõe que o tratamento da depressão deva ser realizado a partir do tripé: Farmacoterapia (remédios psiquiátricos), Psicoterapia (como as realizadas por psicólogos) e medidas gerais de promoção e harmonização da saúde física e mental.

O médico também enfatiza que normalmente o tratamento dos transtornos depressivos acabam sendo realizados de forma isolada, ou seja, muitos pacientes fazem uso apenas da psicoterapia, enquanto que outros se utilizam apenas dos psicofármacos (remédios). Por isso, ele enfatiza a possibilidade de melhores resultados quando o paciente é acompanhado pelo tripé, pois o tratamento torna-se mais completo e possibilita mudanças mais profundas de longo prazo, inclusive cuidando para que o paciente não sofra com recaídas de dependências, crises psicológicas, etc.

Enfim, também é importante frisar que na atualidade o ser humano é compreendido a partir das dimensões biológicas, psicológicas e sociais, e isso pressupõe que apenas um modo de tratamento pode não alcançar todas as pessoas em sofrimento (Souza, 1999). Sendo assim, seguindo o tripé sugerido por Serson (2007), os medicamentos se ocupam de suprir as necessidades orgânicas que o corpo necessita, a psicoterapia auxilia na organização dos pensamentos e das emoções e as medidas gerais de harmonização da vida auxilia o paciente rever e estruturar a vida de forma que possibilite mudanças de hábitos danosos e a diminuição do uso de substâncias (medicamentos).

Obs. Não Esqueça!

> Um bom psiquiatra é aquele que sabe o momento certo de encaminhar seus pacientes ao psicólogo. Um mau psiquiatra é aquele que acha que resolve tudo sozinho.

> Um bom psicólogo é aquele que sabe o momento certo de encaminhar seus pacientes ao psiquiatra. Um mau psicólogo é aquele que acha que resolve tudo sozinho.

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Referências:

BECK Aaron, YOUNG Jeffrey, RIGH Jayne, WEINBERGER, Arthur. Terapia Cognitiva para Depressão. In: BARLOW, David H. (Org.). Manual clínico dos transtornos psicológicos. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
SOUZA, Fábio Gomes de Matos e. Tratamento da depressão. Rev. Bras. Psiquiatr.,  São Paulo ,  v. 21, supl. 1, p. 18-23,  May  1999 .   Disponível em:  <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000500005&lng=en&nrm=iso&gt;.
SERSON, B. Integrando farmacoterapia à psicoterapia e a medidas gerais no tratamento dos quadros ansiosodepressivos. Revista da SPAGESP – Sociedade de Psicoterapias Analíticas Grupais do Estado de São Paulo Jul.-Dez. 2007, Vol. 8, No. 2, pp. 23-32.

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