A “Empatia” de todo dia.

Em Psicologia, principalmente na Terapia Cognitivo Comportamental, a empatia é tida como uma técnica que, quando colocada em prática, auxilia no processo terapêutico para a compreensão dos fenômenos psicológicos envolvendo o cliente/paciente. No entanto, algo precisa ficar claro: a empatia é a capacidade de se imaginar no lugar do outro, ou seja, é uma capacidade cognitiva. Isso porque sentir como o outro sente seria algo impossível para nós humanos, uma vez que somos pessoas diferentes, pensamos e sentimos de forma diferente.

No dia a dia percebemos como a empatia faz diferença em acontecimentos simples. Se imaginar no lugar do outro é buscar compreender como ele experimenta algo vivenciado e, em decorrência disso, mudarmos nosso comportamento. Por exemplo, podemos citar  a reflexão de como deve ser complexo para um idoso permanecer em pé em um transporte coletivo, tendo ele já certa idade e menos força nos músculos. Também podemos compreender, como pode ser difícil para alguém que permaneceu em um único empego por muitos anos retomar a rotina de passar por vários processos seletivos. E não podemos deixar de falar da vida real, aquela que todo mundo vive, com o exemplo de alguém que desfruta de tudo que é organizado pelo outro que também trabalha fora, mas quando chega em casa tem um segundo expediente.

Friendship, Help Black-And-White, Hands

A neurociência já faz algum tempo vem estudando os efeitos da empatia no ser humano e uma descoberta interessante foi que há relação entre o neurônio espelho e o comportamento empático. O neurônio espelho foi descoberto por pesquisadores italianos e se refere justamente ao comportamento de imitação de determinados comportamentos que observamos em outra pessoa. Esse neurônios representam 20% do total de neurônios localizados no lóbulos frontais de nosso cérebro. Alguns pesquisadores, inclusive, acreditam que a ausência do comportamento empático pode estar ligada com a baixa eficiência desse neurônio.

Um comportamento muito comum e que prova a existência do neurônio espelho é o fato de ao bocejarmos na frente de alguém, normalmente, a outra pessoa tende, espontaneamente, a bocejar também. Certamente você já fez isso ou viu alguém fazendo. Sendo assim, o neurônio espelho está o tempo todo em funcionamento, seja em nossas relações mais pessoais, como também nas relações profissionais.

Os pesquisadores perceberam que esse neurônios, além de terem uma função de imitação de comportamento, tem também relação com as emoções, ou seja, ao vermos alguém sentindo dor ou se emocionando, tendemos a sentir a mesma coisa, pois trata-se de uma função cognitiva do nosso cérebro. Por isso, vermos pessoas sorrido e chorando quando assistem filmes ou novelas rs, pois estão na ocasião colocando os neurônios espelhos para trabalhar. Sendo assim, poderíamos compreender as emoções, como, por exemplo, tristeza, alegria, amor, etc., como sendo resultado da atividade cerebral de observar o comportamento externo.

Jacob Moreno, psiquiatra romeno, criador do PsicoDrama, teoria psicoterapêutica baseada nas ações (Drama) para resolução dos conflitos humanos, menciona a existência de um conceito chamado “Tele”. Tele recebeu este nome, pois significa algo que está afastado e não junto, é como a televisão, um objeto separado, mas envia estímulos ao telespectador. Tele seria, grosso modo, uma empatia de forma mútua, ou seja, eu sinto o que você sente e você sente o que eu sinto. O conceito de tele não pode ser confundido com empatia, pois empatia significa apenas entender o que o outro sente, mas não no sentido mútuo. Digamos que se um casal experimenta empatia ao mesmo tempo, há na ocasião um processo de tele.

Michelangelo, Abstract, Boy, Child

Um conceito muito ligado a tele na psicologia é o de transferência, mas, para Moreno, transferência não tem a mesma conotação que em Freud, em Moreno, transferência significa a falta de “Tele” nos relacionamentos.

Enfim, existe no social muitos problemas e somos nós humanos quem os criamos. Todavia, utilizando a empatia no dia a dia podemos ter mais chance de sucesso nas resoluções dos conflitos que surgem. Não há relação sem conflitos, assim como não há relação sem empatia. Não se constrói relações saudáveis sem a tele, por isso, tanto no âmbito clínico, como organizacional e também no social, conscientemente podemos escolher por nos comportarmos mais empaticamente.

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