PDJA – “Eu quero um jovem aprendiz pronto!”???

“Eu quero um jovem aprendiz pronto!”

           Amigos, a frase acima foi dita certa vez por uma gestora se referindo ao desempenho de um jovem aprendiz que ficava sob a minha responsabilidade na empresa. Ela se queixava de ter que explicar a atividade para o jovem mais de uma vez e que ele era demasiadamente distraído para a local de trabalho em que estava alocado. Tivemos uma conversa e a questão foi esclarecida, afinal, somos todos eternos aprendizes, portanto, não existe aprendiz pronto para determinada função, ele está ali para aprender.

De acordo com a lei da aprendizagem 10.097/2000, toda empresa de médio e grande porte necessita ter em seu quadro de colaboradores um percentual de jovem aprendiz. Essa lei objetiva auxiliar a inserção do jovem no mercado de trabalho e certamente se torna uma atividade e experiência importante para muito deles. Eu já fui jovem aprendiz alguns anos atrás e assimilei coisas naquela época que trago até hoje para minha prática profissional. Em um país onde a desigualdade social é imensa, mais que aprendizagem, o programa garante a promoção da cidadania.

A aprendizagem objetiva preparar o jovem para o mundo do trabalho, a fim de que este aprenda a lidar com as situações diversas do cotidiano. A formação se dá por meio de teoria e prática dividida da seguinte forma:

1)     Uma empresa externa devidamente qualificada se responsabiliza pela capacitação teórica do jovem, ou seja, eles acabam por funcionar como uma escola mesmo e empresa contratante investe um valor por cada aprendiz acolhido nessa escola.

2)     A empresa que contrata o jovem aprendiz se responsabiliza pela parte prática do programa, ou seja, é justamente dentro dela que o jovem vai errar, acertar, errar novamente, acertar, até aprender efetivamente.

É interessante refletirmos sobre o “desenvolvimento de Jovem aprendiz”, porque, de fato, muitas empresas pouco se importam com eles, os veem como se fossem uma mera formalização jurídica em virtude da lei, e o equívoco está justamente aí. Todas as pessoas que entram para as empresas devem ser consideradas como talentos. Um jovem aprendiz hoje com 15 anos pode ser amanhã um alto executivo da organização, basta apenas ele se dedicar e ter oportunidades para continuar estudando e corresponder as expectativas da instituição.

Em virtude do desenvolvimento do jovem aprendiz necessitar de uma proximidade maior com eles, a empresa em que eu trabalhava colocava um colaborador do RH específico para conduzir o programa que chamávamos de “Programa de Desenvolvimento do Jovem Aprendiz” (PDJA). Isso significa que eu era um ponto focal tanto no desenvolvimento quanto para resolução de questões que envolviam os jovens. Eu os dividia entre as áreas da empresa, mas qualquer problema que houvesse os gestores me procuravam para juntos encontrarmos uma solução. Confesso que aprendi muito nos dois anos que estive a frente desse desafio.

O desenvolvimento do jovem objetivava ajustar qualidades com os alvos e as competências definidas para os profissionais da organização.  Investíamos na questão comportamental ensinando detalhes simples, como, por exemplo, valorizar as pessoas dentro da empresa desejando “bom dia” aos funcionários de todos os setores… coisa básica para nós, eu sei, mas que para eles, às vezes, passava despercebido. Tínhamos atividades como leitura de livros, palestras, dinâmicas e tudo isso culminava em reflexões sobre diversos temas, como, os conflitos nos relacionamentos em cada setor dentro da empresa. Esse era um momento interessante.

Atendia na empresa jovens em situação de vulnerabilidade social, muitos eram moradores de comunidades da cidade do Rio de Janeiro e, por isso, diversas vezes tive que colocar o aprendizado da psicologia em ação para auxiliar aquele indivíduo a seguir confiante em busca de um futuro melhor. Com o passar do tempo e o investimento no desenvolvimento e acompanhamento conseguimos bons resultados. Muitos jovens foram aproveitados na empresa, em diversos setores, outros foram para o mercado e estão muito bem, muitos deles mantém contato comigo até hoje.

Para finalizar, eu acredito que o ser humano nasce completo e com potencialidades que o ajuda no decorrer da vida para se ajustar às intempéries do cotidiano, ou seja, superar sempre novos desafios. Portanto, estamos sempre em busca de aprendizado, lutando para saber cada dia mais e isso muito se assemelha a vida profissional de um jovem aprendiz. Embora nascemos completos, ninguém nunca fica pronto, a vida profissional é sempre uma estrada a seguir…

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