A crise na escola contemporânea: Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém.

As redes sociais (Facebook e Twitter) nos últimos tempos viraram um grande ringue de lutas. Em algumas discussões nos comportamos como bravos atletas (internautas), lutando para defender um ponto de vista, enquanto que em outros momentos somos apenas telespectadores acompanhando as lutas de demais atletas.

Inúmeros são os assuntos discutidos pela sociedade atual nas redes sociais e um deles falaremos agora em nosso texto chamado: “A crise da escola contemporânea”.

O Brasil está passando por momentos difíceis em sua história democrática, período marcado por grande divisão ideológica da população, também vive um movimento que não sabemos bem aonde vai chegar, e que apesar de novo, questiona e exige algo valiosíssimo para a sociedade que é a educação de qualidade.

O movimento pacífico de ocupação das escolas brasileiras que se organiza em vários colégios pelo país, iniciado em São Paulo, é um comportamento contemporâneo que de tão vanguardistas tem incentivado inúmeros pesquisadores do país das ciências humanas e sociais a compreenderem sua formação, o cotidiano e a descobrir exatamente o que querem os estudantes.

Nas poucas oportunidades que alguns participantes das ocupações tiveram para se manifestarem e explicarem sobre o movimento ficou bastante claro que algo novo está acontecendo e em muitas falas a forma tradicional de se educar vem sendo questionada sutilmente, uma vez que os estudantes têm afirmado, categoricamente, que apesar de ocupadas as escolas tem sido um canal de crescimento e grande aprendizado para eles.

O que querem esses estudantes? O que eles aprendem nesses movimentos? Está havendo perda de tempo ou ganho de tempo com tudo isso?

Inúmeras são as perguntas e por enquanto poucas são as respostas, todavia, algo tem passado por despercebido sobre o movimento que é a “necessidade de liberdade exigida por essa nova geração”.

Paula Sibilia em seu livro “Redes e paredes: A escola em tempo de dispersão”, fala sobre a crise da escola contemporânea fazendo análise a partir das subjetividades desenvolvidas no período histórico moderno e contemporâneo. Grosso modo, a autora compara o modelo de comportamento moderno tido como disciplinado, dócil, civilizado, instruído e focado no aprendizado para o trabalho, com o comportamento contemporâneo influenciado pela revolução da informação através de aparelhos tecnológicos em que as pessoas são cada dia mais impulsionadas a conhecer, a discordar, a se conectar para se comunicar com o mundo.

 As ideias dessa pesquisadora nos faz refletir e levantar perguntas para a questão, como: será mesmo que a escola está em crise ou ela é apenas um dos primeiros lugares sociais que fica perceptível as novas subjetividades em decorrência das parafernálias tecnológicas? Será que as novas subjetividades pautadas nas redes tem desenvolvido a noção de infinito para o ser humano e isso cria um choque com as escolas que tradicionalmente ensinam dentro das paredes, através de práticas reacionárias?

Paulo Freire, educador brasileiro muito estudado e conhecido internacionalmente, enfatizou a importância de se levar em conta o aprendizado que o aluno traz para a escola, pois o mesmo é um sujeito sócio-histórico, ou seja, não é uma tábua rasa que chega à escola no sentido literal da palavra “aluno” como aquele que não tem luz, mas sim aquele que está em construção permanentemente, sendo assim é ativo e se apodera do fato de aprender de forma autônoma. A escola então necessita cumprir um papel diferente do modelo tradicional posto em prática até hoje, a escola precisa se entrelaçar com o estudante compreendo-a como uma ponte que o estudante faz entre o não saber e o construir (saber).

Mulheres e homens, somos os únicos seres que, social e historicamente, nos tornamos capazes de apreender. Por isso, somos os únicos em quem aprender é uma aventura criadora, algo, por isso mesmo, muito mais rico do que meramente repetir a lição dada. Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito. (FREIRE, 2000, p. 77)

O sujeito contemporâneo tem quebrado com o modelo moderno de uma escola padronizada, perfeita, disciplinada, porque aprender é agir, é experimentar, é trabalho, é ter autonomia, é ocupar.

A dispersão é uma marca do padrão atual de comportamento, pois apreciamos a sobrevivência e as interações em rede. Ela tem sido característica também do movimento de ocupação das escolas pelos estudantes em nosso país, por isso, é preciso pensar muito sobre as subjetividades contemporâneas, pois é possível que outros seguimento sociais venham ser impactados por esse novo modelo de comportamento a qualquer momento e a Psicologia precisa está de prontidão para compreensão dos fenômenos decorrentes sem correr o risco de patologização dos mesmos.

Enfim, ainda há muito que se discutir sobre o assunto e este pequeno texto serve apenas para provocar novas e boas discussões.

10nov2015-escola-estadual-diadema-e-ocupada-por-estudantes-em-protesto-a-reorganizacao-escolar-na-rede-publica-1447175414149_956x500

Foto retirada do site www.uol.com.br, reportagem do dia 10/11/2015, título: Alunos acampam em escola estadual de Diadema contra a reorganização da rede.
Por: Maicon Moreira

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s