A sombra…

Já percebeu que às vezes as pessoas falam que você é “assim ou assado” e você não concorda com aquilo? Eu tenho certeza que já aconteceu isso contigo porque é muito comum… as outras pessoas têm mais facilidade de enxergar coisas nossas que nós mesmos. E se você está se perguntando o por que isso acontece, leia esse artigo…

Em Psicologia, especificamente na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, um termo bastante conhecido e extremamente importante para conhecimento da personalidade, ou seja, da psique ou de forma mais simples, do funcionamento humano, é o conceito de sombra. Já ouviu falar?

A sombra é um arquétipo e isso significa que todo o ser humano tem, é coletivo, é uma predisposição compartilhada por todos nós. No entanto, apesar de sua amplitude coletiva ela age no íntimo do sujeito, na parte da psique chamada por Jung de “Inconsciente Pessoal”.

A sombra é um lugar onde depositamos aquilo que não gostamos em nós mesmos. Seria ótimo se pudéssemos escolher nossa personalidade, mas isso não acontece assim. Não estou dizendo que não temos a possibilidade de mudarmos nada em nós, mas sim que não é um processo simples e para conseguirmos qualquer mudança é preciso autoconhecimento, logo, conhecer nossas sombras.

Toda vez que ocultamos os sentimentos mais desprezados por nós em nós, estamos negando a existência de um Eu que faz parte de nós. Todos temos uma luz e uma sombra, mas a sombra fica escondida querendo se manifestar e é reprimida pelo nosso ego.

Buscamos a luz em nós o tempo todo e identificamos a escuridão nos outros na maioria dos casos. Acontece que muitas vezes “a sombra projetada no outro é nossa, porém rejeitada”.

Normalmente duas coisas são depositadas na sombra: conteúdos de âmbito moral e características que à princípio julgamos menos importantes com o passar do tempo.

Sobre os conteúdos morais, me refiro à pensamentos ou sentimentos que moralmente podem não ser aceitos socialmente, por isso, são recalcados ou reprimidos. A família tem um papel importantíssimo nesse processo porque ela introjeta em nós valores morais e nos ensina o que é certo ou errado, logo, tudo o que aprendemos como errado colocamos na sombra. Os pais são mestres em ensinarem aos filhos, desde muito novos, à apresentarem ao mundo somente as coisas boas de si, e a consequência disso é a formação da sombra.

Todavia, há também na sombra outros conteúdos e não apenas os reprimidos/recalcados em nossa mente, a sombra também guarda qualidades importantíssimas e que ao longo do tempo pode ter deixado de ser considerada importante por nós, como, por exemplo, a criatividade que inclusive já tratei em outro texto (O que eu posso fazer para ser mais criativo?). As crianças são normalmente muito criativas, mas quando vão crescendo, aos poucos, param de brincar para se apegarem ao concreto. Tudo isso é muito natural, é um processo. Elas vão deixando seu mundo simbólico nas brincadeiras para aprender de forma linear e formatada, o que muito difere da sua forma espontânea.

Quanto aos relacionamentos, é comum nos envolvermos com pessoas que representam nossas sombras, por isso, são admiradas por nós. Mas, também existem aqueles que temos dificuldades porque eles nos apresentam detalhes que não gostamos em nós mesmos, como é o caso de pais e filhos.

A sombra é como se fosse uma personalidade paralela que vive encostada em nós e que aparece, às vezes, de forma sutil ou não. Lembro-me de ter assistido um vídeo na autoescola produzido pela Disney onde o personagem Pateta que era um homem extremamente calmo se transformava em um homem muito violento ao entrar no carro para dirigir. Percebi nesse vídeo como a sombra age nas pessoas e achei ele perfeito como exemplo. (Pateta no Trânsito – “Senhor Volante”)

É comum temer a sombra porque ela pode apresentar coisas que você não quer que seja conhecida de ninguém. São detalhes seus que você repudia, censura, que você não admite existir em ninguém nem em você mesmo. No entanto, ignorar a existência da sombra é o mesmo que ficar a mercê de suas manifestações no dia a dia, causando, quem sabe, situações embaraçosas. Além disso, o não conhecimento ou reconhecimento da existência da sombra pode acarretar conflitos internos e distúrbios de comportamento, comprometendo relacionamentos e a saúde.

A melhor forma de conviver com a sombra é reconhecendo sua existência através do autoconhecimento que é feito através de terapia com auxílio do psicólogo. Se autoconhecer é um exercício que se faz constantemente, pois estamos sempre vivendo processos de mudanças e consequentemente criando novas sombras. Pode ser que você consiga fazer o processo de autoconhecimento sozinho, mas a ajuda de um profissional torna a ação mais objetiva e proveitosa, afinal, é muito comum outras pessoas apontarem características nossas que nunca percebemos, não é?

Reconhecer nossas sombras é ter consciência do todo que somos.

Dúvidas, sugestões e críticas, escreva para psicolligado@gmail.com ou faça um comentário abaixo.

Até o próximo texto…

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