O que a Psicologia diz sobre Preconceito?

Em conversas informais do a dia a dia é muito comum surgirem assuntos polêmicos e, nessas horas, cada pessoa coloca seu ponto de vista, uns concordam, outros discordam e isso, às vezes, resulta em discussões calorosas. São muitas opiniões colocadas sem fundamentos e carregadas de teor negativo e, mesmo existindo argumentos contrários à elas, existem aqueles que insistem em pensar de determinada forma, construindo assim um pré conceito.

O tema preconceito, embora não pareça, é bastante amplo e objeto de pesquisa de algumas cadeiras, como, a Psicologia, a Sociologia, a Filosofia, etc. Todo esse interesse se dá pelas consequências e repercussões que o comportamento preconceituoso traz para o nosso cotidiano.

Em Psicologia estudamos o tema na disciplina de “Psicologia Social”, no começo da faculdade e, apesar de este assunto ser bastante falado, tanto pelo senso comum quanto em pesquisas na academia, ainda é um tema muito carente de entendimento, sobretudo, na Psicologia mesmo, que tem clientes em busca de psicólogos devido a problemas com o preconceito.

Mas, afinal, o que é o preconceito?

Preconceitos são ideias pré concebidas que temos acerca de alguém ou determinado grupo. Ele se relaciona com o conceito de estereótipo e, consequentemente, com a discriminação.

Existem diversos tipos de preconceitos como exemplificamos abaixo:

  • Preconceito racial: Que se refere a menosprezar o outro pela cor da pele ou origem de etnia;
  • Preconceito sexual: Referente à condição sexual do outro, por exemplo, podemos citar o julgamento das pessoas que se consideram heterossexual em relação aos homossexuais;
  • Preconceito de gênero: Que se refere às diferenças entre homem e mulher, por exemplo, o homem se considerar melhor que a mulher por ser mais forte fisicamente;
  • Preconceito de classe social: Referente às diferenças financeiras, acadêmicas, estruturais de um grupo, etc.

Percebam que o preconceito está vinculado às diferenças das pessoas ou dos grupos, por isso, ele se relaciona com o estereótipo.

E estereótipo, o que é?

Podemos conceituar estereótipo como sendo uma categorização realizada por nós, pautada nas diferenças das pessoas e grupos, de forma a simplificarmos nossa opinião sobre eles. Lendo conceitualmente parece ser apenas uma característica positiva, porém o estereótipo acaba sendo utilizado para classificar nas relações sociais o que é positivo e negativo.

Existem diversos tipos de estereótipos e cito alguns que é muito comum em nosso país:

* Todo homem gosta de futebol;

* Toda loira é burra;

* Todo paulista trabalha muito;

* Todo baiano é lento;

* Todo psicólogo é calmo;

O preconceito se utiliza do estereótipo para avaliar o outro e através disso gerar o comportamento discriminatório. Sendo assim, a discriminação que tanto vemos no dia a dia causadora de sofrimento, agressão e desentendimentos entre os  diferentes é consequência do estereótipo e preconceito.

Preconceito então pode ser compreendido como uma atitude que temos em relação ao outro e é interligado ao estereótipo e a discriminação.

O conceito de atitude explica os três componentes, ou seja, o preconceito, o estereótipo é a discriminação. Sendo assim, a atitude pode ser compreendidas a partir de três componentes, a saber: cognitivo, afetivo e comportamental. Através do mapa mental abaixo pode ficar mais visual o que estou explicando e a relação que faço com o conceito de atitude.

Mapa preconceito

Nem sempre um preconceito chega a uma discriminação (comportamento). O indivíduo pode pensar alguma coisa sobre determinado grupo (cognitivo – estereótipo) e não chegar a expressá-lo.

O preconceito é uma atitude afetiva de um sujeito para com o outro, é a forma que você sente as diferenças entre as pessoas.

Apesar de o preconceito ser negativo para as relações, ele ainda existe porque sua formação acontece através das interações entre os grupos, ou seja, ele é aprendido socialmente, assim como os estereótipos também. O estereótipo, especificamente, possui uma função sociocognitiva de nos auxiliar através da simplificação a diferenciar nosso grupo dos demais.

E como podemos reduzir o preconceito?

Quanto a isso, inicialmente alguns pesquisadores achavam que seria possível através da interação dos diferentes, pois assim haveria conhecimento sobre ambos os grupos, logo, reduzindo os estereótipos. Porém, posteriormente, perceberam que a teoria da interação só funcionaria se houvesse interação com igualdade de status, ou seja, jamais poderia haver redução do preconceito se a escolha do outro continuar a ser entendida socialmente como errada, logo, mesmo que convivêssemos e percebêssemos que ele é uma boa pessoa, sua escolha continuaria ditando o preconceito no grupo, pois não seria vista como adequada.

Enfim, este texto teve o objetivo de explicar o conceito de preconceito de acordo com a visão teórica da Psicologia Social. Este é um tema importante e todo Psicólogo precisa se atentar para ele como algo complexo em nossa sociedade é muito presente na clínica psicológica. Vivemos em um país que, apesar de ser tido como um lugar de alegria, de pessoas diferentes, com miscigenação, ainda se comporta de forma primitiva no que tange à aceitação das diferenças humanas. Um bom exemplo é que existem programas de humor em rede nacional com personagens baseados em estereótipos e isso certamente deve implicar em desconforto e até sofrimento tanto para adultos quanto para crianças que assistem e podem, consequentemente, procurar atendimento psicológico.

 

Por: Maicon Moreira

2 comentários

  1. Como lidar com o preconceito no trabalho? Já fiz três processos seletivos, mas não sou aprovada… Acredito que estou vítima de preconceito porque sou negra.

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  2. Camila, excelente noite!

    Primeiramente obrigado por nos acompanhar… Vamos a pergunta:

    Infelizmente o preconceito racial é muito grande em nosso país por conta da nossa história. Acredito que os quase 400 de escravidão sejam a maior vergonha do nosso país.

    Bom para eu te dar uma resposta completa eu precisaria de mais informações, por isso, se desejar, escreva para psicolligado@gmail.com.

    Mas de qualquer forma segue uma dica.

    Quanto ao que pode fazer para lidar com a situação eu sugiro focar em você, isso mesmo, foque em você. Mudar os outros é algo difícil porque está fora da nosso alcance, nós podemos mudar somente a gente mesmo. Então, como dica para seu desenvolvimento e driblar essa situação faça o seguinte: já ouviu falar na matriz dept? Não? Procure no google um modelo de imagem que talvez fique mais claro o que estou te explicando. Basicamente na matriz swot você analisará seus pontos fracos e fortes e através disso poderá traçar algumas estratégias para driblar os resultados do processo. Autoconhecimento é fundamental para o crescimento profissional.
    Se por ventura você já fez essa análise algumas vezes e não obteve sucesso pode cogitar a possibilidade de trocar de organização, às vezes, encarar uma oportunidade em uma nova empresa que reconheça seu potencial pode ser mais estratégico e promissor.

    Continue nos acompanhando aqui e em nossa página no Facebook.

    #Excelentevidasempre

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