Luz, Câmera, Ação PsicoDrama – Jacob Moreno

        Quando criança quem nunca brincou de teatro ou participou de uma peça de teatro na escola? Acredito que a maioria de nós já tenha passado por essa experiência, pois se trata de uma brincadeira comum na infância. Certamente a maioria de vocês se recordarão de quando brincavam de teatro. Todavia, para aqueles que não se recordarem, venho vos lembrar de que toda vez que você fingia dirigir um carrinho ou brincava de família, ou seja, se passando por mãe, pai, tio, etc. de uma boneca, você estava brincando de teatro.

       A psicoterapia ‘Psicodramática” desenvolvida pelo médico romeno Jacob Levy Moreno (1889-1974), trabalha com a perspectiva de que através de nossas ações (drama) conseguimos vivenciar os acontecimentos (conflitos) de modo que possamos encontrar uma alternativa para resolução deles. O médico acreditava que através da dramatização conseguimos entrar em contato conosco, no mais profundo “Eu”, em nosso aspecto psicológico.

    Em Moreno, o indivíduo deve ser estudado de acordo com suas relações interpessoais, pois para ele somos formados através de uma vida social e necessitamos dessa relação para sobrevivência. Também é justamente o contexto social que acaba por ser favorável ou desfavorável para nossa saúde mental.

       Um conceito chave para compreensão das ideias de Moreno é o conceito de “espontaneidade”. Moreno dizia que o ser humano nasce de forma espontânea, mas ao ser inserido no mundo social estabelecido como é, perde-se essa espontaneidade, e a falta dela faz com que ocorra sofrimento psíquico. A espontaneidade, a criatividade e a sensibilidade são recursos inatos na visão de Moreno e a falta desses recursos acarreta alterações de natureza psicológica.

        É bem fácil entendermos que isso acontece de verdade… quando somos crianças algo marcante para todos é a espontaneidade. Uma vez alguém me disse que há três tipos de pessoas que falam a verdade: As crianças, os bêbados e as pessoas com raiva. É bem assim mesmo, não é? Agora pensa comigo, as crianças falam a verdade porque são espontâneas, conforme Moreno diz, os bêbados porque retiram as couraças sociais e as pessoas que estão com raiva porque não pensam muito no que falam, logo retomam a espontaneidade novamente. Que massa!!!

         Se por acaso você agora esteja pensando: Que coisa chata essa parada de perder a espontaneidade! Calma! É preciso compreender que as regras sociais foram e são importantes para a civilização do homem, por isso, apesar de toda problemática envolvendo os prejuízos para homem, ela apresentou também inúmeras vantagens e a consequência disso é podermos usufruir da vida em sociedade como fazemos hoje.

       Na terapia psicodramática, o terapeuta conduz o cliente para a recuperação da “espontaneidade e criatividade” perdida através dos padrões de comportamento estereotipados socialmente. É interessantíssimo pensar em retomar algo que nasceu conosco e com o passar do tempo fomos perdendo sem nos dar conta disso. A falta da espontaneidade afeta inclusive o contexto profissional. Costumo dizer que o problema de falta de criatividade nas empresas é devido a essa perda de espontaneidade do ser humano.

        A palavra “Drama” em Grego significa ação e, na visão de Moreno, é através da ação que o sujeito alcança a espontaneidade. Nossas relações sociais sempre são envolvidas de ações, ou seja, de muito drama. Desde que nascemos somos inseridos em um contexto familiar que, de certa forma, já vai nos moldando. Quando entramos para escola mais uma vez passamos por um novo crivo e de novo perdemos mais um pouquinho de nossa espontaneidade.

       Atualmente o PsicoDrama é utilizado não só em contextos clínicos como também em treinamentos organizacionais. Eu já participei de um workshop sobre criatividade baseado inteiramente nos conceitos de Moreno e foi um dos melhores cursos que já participei até hoje. O que comumente chamamos de role playing por exemplo, pode ser considerado psicodrama, não em sua totalidade, mas em algumas características. Nós que trabalhamos com a Psicologia organizacional e demais profissionais que se interessam pela Psicologia, podemos muito nos aproveitarmos da teoria de Moreno a fim de conseguirmos mais espontaneidade para as pessoas e consequentemente melhorarmos as relações, sejam em âmbito pessoal ou mesmo profissional.

 

Referência:

GONÇALVES, Camila; WOLFF, José; ALMEIDA, Wilson. Lições de Psicodrama: Introdução ao pensamento de J. L. Moreno. São Paulo: Ágora, 1998.

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